quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Can You Be Mine. (Thirteenth)

13º  Capitulo

  Sim, talvez, quem sabe, tudo esteja voltando ao normal depois de uma longa semana. Menos minha mãe, que só piora. Seus batimentos cardíacos, que antes estavam estáveis, agora estão bem acelerados; os médicos insistem em me dizer que está tudo bem, mas eu sei que não está.
  Faltam alguns dias para o natal, e eu recebo uma ligação de um número desconhecido.
  “Ao menos não é do hospital.”
 -Alô? –atendi.
 -Margo?
 -VÓ TINA?!!?!?!?
 -Sim meu amor! É a vovó!!
 -Ai meu Deus vó!!! A que devo a honra de sua ligação? –tentei parecer animada.
 -Estou ligando para dizer que o vovô e eu estamos indo passar o natal com vocês!!
 -Comigo e com a Agatha?
 -Agatha está aí? Tudo bem! Com Agatha, você e sua mãe!
  Eu queria dizer a ela que não tem natal com minha mãe, que não tem ceia de natal sem minha mãe, que minha mãe está morrendo no hospital, mas o choque de saber que ela não sabe sobre o estado da minha mãe me fez congelar.
 -Margo? Querida? Ainda está aí?
 -Sim, vó. Desculpe.
 -Então passe para sua mãe pra eu tratar das coisas da ceia com ela.
  Agora eu quero gritar.
 -Vó, a senhora não sabe né?
 -O que eu não sei querida? –seu tom era o mesmo ainda.
  Respirei fundo e joguei:
 -Vó, olha, não sei porque ela não havia te dito, tudo bem? Eu quero que a senhora não me culpe, porque eu não fazia ideia de que a senhora não sabia.
 -O que eu...
 -Deixa eu terminar. Minha mãe está internada. Ela ta com uma depressão profunda, dessas que o paciente escolhe ficar inconciente. Que é cedado para não sentir nada. Mas não pelos médicos, pelo proprio cérebro. Vó não vai ter natal! Não vai ter ceia! NÃO VAI TER NATAL SE EU NÃO TIVER MINHA MÃE. E POR FAVOR, EU NÃO PRECISO DA SENHORA AQUI COMIGO TA BOM? EU TE AMO, MAS EU TO BEM. EU QUERO FICAR AQUI. SEM NINGUÉM. SE EU PUDESSE, ATÉ SEM A AGATHA EU FICARIA, MAS NÃO DÁ. ELA VAI FICAR. MAS LONGE DE MIM –é claro que ela não ficaria longe de mim, qanto mais perto de Agatha, melhor pra mim. É obvio que eu preciso da minha avó, mas ela não precisa ver como minha mãe está. Ela não precisa sofrer. É natal.
 -Tudo bem, eu entendo –ela estava chorando –você já está grandinha né?! Eu te amo.
 -Eu também. Eu te amo muito vó.
  Agora só Deus sabe o que está acontecendo lá.
  Pego uma das garrafas que Agatha havia me dado, um maço de cigarros e vou para o quarto da minha mãe. Fecho a porta e escancaro a janela. Coloco os fones no ouvido, e fico deitada no chão, fumando e bebendo ao som de BonJovi.
  Posso ouvir alguém me chamando desesperadamente lá embaixo, ignoro o som. Até que Luke aparece na janela do quarto e eu o encaro.
 -Como sabia que eu estaria no quarto da minha mãe? –eu disse.
 -Na verdade, eu não sabia. Essa era a janela mais fácil de subir. –ele sorriu, até olhar para as garrafas. –Você ta bebendo e nem me chamou?
 -Na verdade, queria beber tudo sozinha.
 -Afogar suas mágoas?
 -Talvez até me afogar...
 -Margo, você não fazia nada dessas coisas quando chegou aqui. Quando eu te conheci, você me olhava diferente, você até me perguntou se fumar fazia você passar mal. E agora você tá com um maço de cigarros e garrafas de bebida junto de você. O que aconteceu?
 -Você lembra de quando nos conhecemos? –fugi da pergunta porque quis.
 -Você acha que eu me esqueceria? A menina nova e tímida que chegou na escola e ficou andando de um lado pro outro pra decorar os caminhos das salas de aula, e... me pediu desculpas por não fumar. –ele riu.
 -EI! –ri junto dele. –Não é justo, eu te achei um gato e fiquei com muita vergonha quando você veio falar comigo. Você foi um colírio para os meus... –parei de falar quando percebi o que havia falado. Ele estava me olhando fundo nos olhos.
  Ele balançou a cabeça como siando de um devaneio e disse:
 -Um colírio para os seus olhos? Olha, não posso negar, eu também te achei bem bonitinha.
 -Bonitinha? Só isso?
 -Ah, eu sou homem, não posso sair dizendo pra todas as garotas gatas que eu as acho muito gatas. Então, só bonitinha.

   Eu queria muito beijá-lo.